quarta-feira, 9 de setembro de 2026
terça-feira, 8 de setembro de 2026
Tira do Euricéfalo nº 981: Cozinhando Biscoitos
O Euricéfalo ainda está aqui
Olá a todos! Aqui é o Euricéfalo, depois de anos sem postar absolutamente nada por aqui.
Para quem chegou a acompanhar este blog em outros tempos, eu fazia tirinhas cômicas. Gostava muito de fazê-las — e, na verdade, nunca deixei de gostar. O problema é que a vida foi acontecendo.
O corre-corre do dia a dia, o trabalho, os filhos, as responsabilidades e tudo aquilo que misteriosamente ocupa as 24 horas de um dia antes mesmo de ele começar foram, aos poucos, tirando de mim o tempo que eu tinha para fazer as tirinhas.
A vontade, porém, nunca foi embora.
As ideias continuaram fervilhando na minha cabeça. Situações do cotidiano, conversas, pequenas coisas que aconteciam e imediatamente me faziam pensar: "isso daria uma tirinha". O Euricéfalo continuou funcionando normalmente. O que desapareceu foi o tempo necessário para transformar essas ideias em desenhos.
E isso durou anos.
Curiosamente, foi justamente a modernidade que um dia bateu nas minhas costas e disse: "Ei, talvez dê para fazer isso de novo."
Sim. Estou falando de inteligência artificial.
Os desenhos que aparecem nas novas tirinhas são gerados com IA. E não vou fingir que não são. O traço pode ser mais genérico, não existe mais aquele processo artesanal de antigamente e certamente há diferenças em relação ao que eu fazia antes.
Mas existe uma coisa que não mudou: a piada ainda sou eu.
A ideia, a situação, o diálogo, o timing, a bobagem, o absurdo, o jeito de enxergar alguma coisa cotidiana e pensar "isso daria uma tirinha"... tudo isso continua vindo da mesma cabeça que fazia este blog anos atrás.
Eu estou aqui.
Quem conhecia as tirinhas antigas provavelmente vai perceber isso rapidamente. Ainda sou eu pensando nas situações, elaborando as piadas, decidindo o que cada personagem faz, o que fala, como reage e onde está a graça.
A IA entrou como ferramenta para resolver justamente aquilo que havia me afastado daqui: o tempo.
Hoje consigo ter uma ideia e colocá-la em prática em poucos minutos, às vezes apenas com um celular na mão. Não preciso encontrar algumas horas livres que provavelmente nunca apareceriam. Posso transformar aquela bobagem que surgiu na cabeça durante o dia em uma tirinha antes que ela desapareça.
E isso me devolveu um prazer que eu achava que tinha ficado para trás.
Então, sim: há IA aqui agora. O conteúdo é produzido com a ajuda dela e não vejo motivo para esconder isso. Mas também não quero que pareça que apertei um botão e entreguei o blog para uma máquina.
O Euricéfalo continua aqui, pensando besteira como sempre.
A diferença é que agora ele ganhou uma ferramenta que permite transformar essas besteiras em tirinhas novamente.
E, sinceramente, acho isso melhor do que deixar todas essas ideias morrerem na minha cabeça porque não tenho mais o tempo que tinha antigamente.
Já fiz algumas tirinhas novas e estou me divertindo novamente com isso. Espero que vocês também se divirtam.
E deixo um recado, inclusive para além deste blog: evitem conteúdo sem alma.
Não digo simplesmente "evitem conteúdo feito com IA", porque acho que essa distinção está ficando cada vez menos útil. A fachada pode ser feita por uma pessoa, por uma máquina ou pelas duas trabalhando juntas. E talvez chegue um momento em que seja praticamente impossível distinguir uma coisa da outra apenas olhando.
Então olhem além da fachada.
Avaliem o conteúdo.
Tentem perceber se existe alguém por trás daquilo. Uma ideia, uma intenção, uma experiência, um ponto de vista, alguma coisa que alguém realmente quis dizer, mostrar ou fazer rir. A ferramenta utilizada para colocar isso no mundo importa, claro, mas não conta a história inteira.
O problema, para mim, não é a inteligência artificial participar do processo.
É quando não existe processo nenhum. Quando não existe ninguém querendo dizer nada. Quando o conteúdo existe apenas porque agora é possível produzir conteúdo aos montes.
Se houver alguém por trás, talvez ainda exista alma ali — mesmo que a fachada tenha sido construída por uma máquina.
Pelo menos é assim que pretendo fazer por aqui.
A fachada mudou.
O Euricéfalo continua atrás dela.

